A migração global dos milionários em 2023
A movimentação internacional de pessoas de alto patrimônio mostra como segurança, estabilidade, mobilidade, ambiente regulatório e qualidade de vida pesam na disputa global por capital e talento.
Paulo Espanha
Founder da iStartup.Rio
O patrimônio voltou a se mover
Durante a pandemia, quase todo mundo viajou menos. Os milionários também. Quando as restrições acabaram, o patrimônio voltou a circular.
O mapa da Visual Capitalist, baseado em projeções da Henley & Partners para 2023, estimava que cerca de 122 mil milionários mudariam de país naquele ano.
É projeção, não contagem oficial. Importante dizer, porque número bonito costuma ganhar vida própria na internet.
Mesmo assim, o mapa revela uma disputa real: países competem por capital, talento e atividade econômica.
Por que gente rica muda de país?
Tributação pesa. Mas não explica tudo, por mais que alguns debates insistam em fingir que sim.
Segurança, estabilidade institucional, previsibilidade regulatória, qualidade de vida, acesso a mercado, educação e mobilidade internacional também entram na conta.
Quando um país combina incerteza, burocracia e baixa confiança institucional, parte do capital móvel começa a procurar saída. Capital tem uma qualidade pouco romântica: ele anda.
Quem estava atraindo patrimônio
A projeção colocava a Austrália na liderança, com entrada líquida estimada de 5.200 milionários. Emirados Árabes Unidos apareciam com 4.500. Singapura, com 3.200.
Estados Unidos, Suíça e Canadá também figuravam entre os destinos preferidos.
Cada país vende uma combinação diferente. Segurança. Qualidade de vida. Tributação. Mobilidade. Infraestrutura financeira. Acesso a mercado. Previsibilidade.
No fim, ninguém muda a vida inteira por causa de um único item da planilha.
E de onde o patrimônio saía
China, Índia e Reino Unido apareciam entre as maiores perdas líquidas projetadas. Rússia, Brasil, Hong Kong, Coreia do Sul e México também registravam saídas.
Isso não significa que esses países tenham parado de formar riqueza. País grande pode criar novos milionários e perder parte dos antigos ao mesmo tempo.
O dado relevante é o movimento. Quando muita gente capaz de mudar toma a mesma decisão, convém investigar. Talvez não seja coincidência. Talvez seja o ambiente mandando um recado.
Países também disputam gente e dinheiro
Num mundo mais conectado e geopoliticamente mais nervoso, residência e cidadania viraram parte da estratégia patrimonial.
Governos competem por empreendedores, investidores e famílias com segurança, infraestrutura, regime tributário, vistos e ambiente de negócios.
Singapura é um bom exemplo. Combina liberdade econômica, estabilidade, integração internacional e infraestrutura financeira. Não é marketing. É desenho institucional.
O que isso ensina a empresas e empreendedores
Capital não é imóvel. Talento também não.
Empresas que operam em ambientes difíceis precisam entender como burocracia, insegurança regulatória e baixa qualidade institucional afetam clientes, investidores, executivos e fundadores.
A pergunta não é só onde o dinheiro está. É onde pessoas e empresas encontram condições para ficar, investir e construir futuro.